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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Governo investe R$ 23 bi no Minha Casa, Minha Vida
“Os valores relacionados a restos a pagar podem ser alterados até o dia 31 de dezembro, mas não há dúvida de que um passivo enorme será transferido para o próximo ano”
Ruy Barata Neto
último dia 13 de dezembro (terça-feira) com um montante de R$ 22,9 bilhões, valor que inclui R$ 11 bilhões já previstos para o programa no projeto de lei orçamentária (PLOA) em tramitação no Congresso Nacional, e o acumulado de restos a pagar de anos anteriores de R$ 11,9 bilhões — o que inclui os recursos não utilizados da verba deste ano do programa.
em função do desempenho do Minha Casa, Minha Vida em 2011. “Os valores relacionados a restos a pagar podem ser alterados até o dia 31 de dezembromas não há dúvida de que um passivo enorme será transferido para o próximo ano”, explica Gil Castello Branco, coordenador do Contas Abertas. Do total de R$ 9 bilhões em despesas empenhadas (recursos reservados para pagamentos previstos), apenas R$ 11,7 milhões foram executados com compromissos deste ano.
O governo priorizou os pagamentos das contas de restos a pagar dos anos anteriores, em um total de R$ 5,9 bilhões, grande parte disso transferido para o
no ano seguinte”, acrescenta Neste ano, as verbas atualizadas de transferências do orçamento para o Fundo de Arrendamento Residencial somou R$ 9,1 bilhões, sendo todo o valor transferido até aqui de R$ 5,2 bilhões — apenas no que diz respeito a restos a pagar pagos para ressarcir a Caixa dos gastos executados em anos anteriores
expressividade no governo que fez o orçamento da pasta ultrapassar o do Ministério dos Transportes em 2011, o que se repete no PLOA de 2012. Enquanto o primeiro conta com R$ 15,9 bilhões, o segundo se aproxima dos R$ 17 bilhões. ■
De acordo com cálculos da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), a medida atingirá projetos que somam R$ 1 bilhão de investimentos em obras. O programa Em um primeiro modelo de negócio, as empresas privadas atuam como empreiteiras. Por meio de contratos com as prefeituras municipais, responsáveis por ceder terrenos, as empresas recebem o dinheiro do governo após ter finalizado a obra, previamente aprovada na Caixa Econômica Federal.
Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), na primeira fase do programa, que terminou em dezembro de 2010, o governo cont ratou 495 mi l unidades com as prefeituras — boa parte ainda está para ser finalizada e deverá ser entregue em 2012.
municipais, 60% de um total de um milhão de moradias previstas serão viabilizados por meio delas. Os projetos da segunda etapa começaram a ser contratados pela Caixa Econômica em outubro deste ano.
As metas do programa são ambiciosas, o que também por si só justificam um impulso maior independente de qualquer pretensão política. O governo estima investir R$ 72,6 bilhões até 2014, possibilitando a construção de dois milhões de moradias. ■ R.B.N.
Os empreendimentos são contratos remanescentes da primeira fase do Minha Casa, Minha Vida, encerrada em dezembro de 2010, mas que ainda não foram finalizados.
Segundo dados da Cbic, cerca de 200 mil projetos de unidades de imóveis estão dentro da Caixa para fazer parte de um período de transição entre as duas etapas do programa. Luis Fernando afirma que há uma expectativa de continuidade para os projetos. “Os projetos que já estavam inscritos na fase um deverão permanecer para a segunda incorporando as alterações das pelo governo”, afirma.
Há ainda a possibilidade de projetos inscritos tardiamente, em janeiro e fevereiro deste ano, período em que a fase dois ainda não havia sido lançada, também serem incluídos. Cidades O programa de subsídios à construção de casas , gerido por meio do Ministério das Cidades, ganhou expressividade alta dentro do governo.
Para o vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), José Carlos Martins, o aquecimento econômico e a melhora no crédito e na renda trouxeram oportunidades de recuperação de preços. “Hoje os preços do mercado imobiliário estão onde deveriam estar, não se trata de bolha. E como tendência vemos continuidade na alta, mas agora o ritmo de crescimento é outro, mais vegetativo”.
A análise de alguns números também sinaliza a inexistência de bolha imobiliária por aqui. A rela ção crédito imobiliário x Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil é de 5,1%, segundo dados da Cbic. Ao se comparar com outros países fica visível a possibilidade de expansão local: México (12,5%), Chile (14%), África do Sul (30,6%), Alemanha (40%) e Estados Unidos (72,7%). Na Suíça, por exemplo, essa relação está em 102,1%.
As estimativas para o déficit habitacional brasileiro estão em torno de seis milhões de unidades, sendo 90% concentrados em famílias com até cinco salários mínimos. “Para o déficit não aumentar o Brasil precisa produzir em média 1,5 milhão de unidades/ ano e isso vem acontecendo. Hoje, inclusive, com o programa Minha Casa, Minha Vida já é possível vislumbrar o déficit diminuindo”, diz o diretor da Novasec, José Pereira Gonçalves.
Para o presidente da Abecip, Octavio de Lazari Junior, não dá para falar em bolha no Brasil tendo em vista que os cidadãos comprometem no máximo 30% da renda em financiamento imobiliário. “Além disso, o valor médio dos financiamentos é de 62% em relação ao valor do imóvel — é muito difícil você deixar de pagar a dívida”, observa. Para efeito de comparação, os Estados Unidos chegam a financiar 120% do valor do imóvel. Mais um ponto a favor do Brasil: a inadimplência é pequena, em torno de 2% para casos de mais de três prestações em atraso.
Mas a diferença com os Estados Unidos não é apenas de alavancagem nos financiamentos. Enquanto no Brasil o cidadão faz financiamento imobiliário para comprar uma casa, nos Estados Unidos, o cenário é outro. Lá um crédito hipotecário, tendo o imóvel como garantia, pode ser usado para qualquer tipo de consumo. “Enquanto o mercado estava se valorizando não havia problema, mas quando veio a crise do subprime e os preços começaram a cair as garantias das hipotecas começaram a derreter”, explica Gonçalves. ■
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