sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Aluguel tem alta recorde na cidade de São Paulo

folha
Contratos novos registram aumento de 18% em 2011, diz sindicato do setor. Especialistas esperam reajustes com mais moderação ao longo deste ano, por conta de desaceleração na área.

MARIANA SALLOWICZ - DE SÃO PAULO

O aluguel residencial na capital paulista teve alta recorde no ano passado. Quem buscou apartamento ou casa para locação na cidade encontrou valores 18,48% maiores em dezembro de 2011 do que um ano antes. Trata-se da maior variação registrada em uma comparação anual desde 2005, início da série histórica do Secovi-SP (sindicato da habitação).

Enquanto isso, os contratos de aluguel em andamento subiram em ritmo menor, seguindo a variação do IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), usado como referência na maioria dos acordos. O índice, calculado pela Fundação Getulio Vargas, teve alta de 5,1% no ano.

O reajuste acima do índice, no entanto, pode ser negociado entre as partes após o período estipulado no documento, quando é prorrogado.

"Há uma forte demanda, e a oferta, apesar de crescente, não tem acompanhado esse ritmo, o que tem inflacionado a locação nova", diz Francisco Crestana, vice-presidente de gestão patrimonial e locação do Secovi-SP.

Segundo o economista José Pereira Gonçalves, especialista em mercado imobiliário, com o aumento da renda, as pessoas têm mais disponibilidade para gastar com moradia, o que permite reajustes maiores. "Muitos elevam as despesas."

Crestana afirma que aqueles que investiram na compra de imóveis buscam uma maior rentabilidade. "O aluguel mensal ainda fica em torno de 0,6% do valor da casa ou apartamento", relata.

Além disso, há uma parcela de potenciais compradores que têm optado pelo aluguel por causa da alta no preço dos imóveis. "Muitos não conseguem adquirir porque a prestação é elevada. Outros acreditam que o valor possa cair e esperam", diz o vice-presidente do Secovi-SP.

RITMO MENOR

Para especialistas, o resultado de 2011 não será superado neste ano. "A previsão é de elevação em ritmo menor. Continuamos com oferta de crédito, o que impulsiona o mercado, mas deverá haver uma desaceleração da economia", diz Crestana.

Gonçalves também prevê uma elevação mais moderada. "O mercado chegou a um patamar adequado."

Entre os bairros que apresentaram as maiores altas no ano está a Vila Prudente (zona leste), chegando a 123% nos apartamentos de dois dormitórios em bom estado de conservação. A Pompeia (zona oeste) também teve destaque, com 66,8% em imóveis de um quarto.

clip_image001

ANÁLISE

O bom-senso tem de prevalecer no trato entre proprietários e inquilinos

MARIA INÊS DOLCI - COLUNISTA DA FOLHA

NÃO HÁ COMO ESCAPAR: ESTÁ CADA VEZ MAIS CARO MORAR NAS CIDADES EM PROCESSO DE CRESCIMENTO ECONÔMICO

Não foi surpresa a alta dos preços dos aluguéis em São Paulo em 2011 -18,48% de reajuste nos novos contratos. Afinal, a especulação imobiliária não se contentaria só com a hipervalorização nas vendas das residências.

Quem depende de aluguel tem de ficar atento, pesquisar muito e negociar com proprietários ou imobiliárias. Há argumentos que pesam nessa queda de braço.

Antes de qualquer conversa, verifique os preços dos aluguéis nas imediações. Isso dará base para mostrar ao locador que sua proposta de correção estará no nível médio das disponíveis na área.

Caso o aluguel esteja muito abaixo desse padrão, a negociação terá menor espaço para sua proposta.

Há que considerar que o aluguel não é o único custo de um imóvel. O IPTU e o condomínio pesam cada vez mais no bolso da classe média. Demonstre ao proprietário o valor total de locação.

Além disso, em prédios mais antigos, manutenção, obras, pintura e extras do condomínio também encarecem a moradia. Devem ser listados e apresentados com o valor que se propõe a pagar.

Por último, mas não menos importante, argumente que você é bom pagador, zela pelo imóvel, sem necessidade de discussões nem brigas.

Parece uma observação simples, mas é fundamental nesse tipo de negócio. Mesmo que a lei assegure o pagamento, maus locatários podem atrasar o processo com chicanas judiciais -e assim o dono ficar sem receber.

Apesar de todas considerações, não há como escapar: está cada vez mais caro morar nas cidades brasileiras em processo acelerado de desenvolvimento econômico.

Todos comemoram o fato de o Brasil crescer ao mesmo tempo que outros países, ricos e desenvolvidos, marcam passo e enfrentam crises. Um dos preços a pagar é a falta de infraestrutura para atender os novos consumidores.

Nesses momentos, o bom senso deveria prevalecer sobre a ganância. Afinal, proprietários, crises são cíclicas, e bons relacionamentos, mais importantes que a ânsia pelo lucro imediato.

MARIA INÊS DOLCI, 57, advogada formada pela USP com especialização em business, é especialista em direito do consumidor e coordenadora institucional da ProTeste.

Nenhum comentário:

Postar um comentário