Arquiteta e decoradora dos ricos e famosos abre empresa de negócios imobiliários, cuja meta é comercializar R$ 200 milhões no país neste ano
Françoise Terzian
A bolha imobiliária que nocauteou os Estados Unidos e transformou milhares de imóveis de Miami em residências fantasmas em 2008 encontrou no real forte e no apetite dos brasileiros abastados uma forma de reviver a Miami dos tempos dourados. Entre o final de 2011 e o início de janeiro, vários brasileiros voaram de primeira classe ou em poltronas da executiva para a cidade mais brasileira dos EUA a convite de incorporadoras americanas. Lá, ficaram cinco dias visitando imóveis que custam entre US$ 300 mil e US$ 10 milhões e, nos intervalos, aproveitaram para ir às compras e se deliciar com pratos à base de frutos do mar. No final, muitos retornaram ao Brasil proprietários de um imóvel na cidade. A arquiteta e decoradora paulista Bya Barros, figura conhecida entre os ricos e famosos e exmulher de Carlos Jereissatti (do Shopping Iguatemi), está por trás de algumas dessas negociações. Ela acaba de abrir a Bya Barros Negócios Imobiliários,em sociedade com Humberto Anzzelotti, ex-diretor comercial da construtora São José, especializada em imóveis, shoppings, hotéis e loteamentos de alto padrão.
Com foco na venda e compra de imóveis em Miami, São Paulo, litoral e interior paulista, e Angra dos Reis (RJ), Bya e Anzzelotti pretendem comercializar R$ 200 milhões em imóveis no Brasil, neste primeiro ano de operação da nova empresa. A comissão sobre a venda dos imóveis é mantida sob sigilo. Sabe-se apenas que, em Miami, a comissão para imóveis novos gira em torno de 4%. “Fiz as provas e tenho registro no Creci (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis). Quem trabalha com decoração está ligado a imóveis. Meu capital social, que é a minha rede de relacionamentos, sempre me pediu conselhos na hora de comprar e vender imóveis de alto padrão”, conta Bya. Ela conta que a crescente demanda por indicações de gente para comprar e vender a levaram a abrir o negócio, cujo diferencial é o sigilo absoluto, o atendimento personalizado e a oferta gratuita de um projeto de decoração assinado por ela própria para quem acerta a compra de um imóvel com ela. “Não somos uma imobiliária comum e também não usamos nomes pomposos como ‘prime’ ou ‘private’ como fazem os outros. Aqui quem atende o cliente sou eu ou meu sócio. Tudo é tailormade (feito sob medida)”.
Bya comercializa tanto imóveis residenciais quanto comerciais de alto padrão. No momento, sua joia da coroa é uma apartamento duplex situado na rua Itacema, no Itaim Bibi, pertencente a umcasal que está se separando. Todo decorado — com alguns objetos do designer francês Philippe Starck — e até copos de cristais. “Quem comprar só precisa entrar com o cabide. O imóvel custa R$ 9,2 milhões e deve ser vendido em, no máximo, três meses”, conta Bya, entre risadas e confidências. “Tem pai vendendo imóvel escondido da filha e ela nem pode imaginar”, diz a nova corretora da praça, assegurando sigilo. ■
ESTADOS UNIDOS
Até o final deste ano, muitos bancos americanos devem colocar à venda imóveis que foram hipotecados no passado e posteriormente abandonados pelos proprietários com o estouro da bolha imobiliária americana. “Tem muita coisa boa que será vendida, como residências e escritórios. E não vamos nos focar só em Miami, mas em todos os Estados Unidos”, afirma Humberto Anzzelotti, sócio da Bya Barros Negócios Imobiliários.
Já no Brasil, além de residências de luxo, a empresa também está mirando as lajes corporativas em regiões movimentadas da cidade, como Faria Lima e Vila Olímpia. No complexo onde será inaugurado o Shopping JK Iguatemi, Anzzelotti conta que sua empresa tem duas lajes (andares) inteiras para serem vendidos no edifício comercial Sky. Cada andar, de mil metros quadrados, custa R$ 16 milhões. “Éum valor baixo se compararmos com o preço do metro quadrado da região.” ■ F.T.
Nenhum comentário:
Postar um comentário