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O Rio de Janeiro também começa a se render ao conceito imobiliário dos centros de multiuso. A construtora Living e a PDG estão lançando um projeto de R$ 400 milhões no bairro em Del Castilho, que reúne no mesmo endereço centro de comércio e serviços dentro do condomínio residencial.
O Rio Parque terá um mall com 29 lojas comerciais em sua base.
A TRANSFORMAÇÃO É O RETRATO DE SÃO PAULO, QUE SE RECONSTRÓI À MEDIDA QUE VETORES COMO OBRAS PÚBLICAS, SHOPPINGS E METRÔ CHEGAM A SEUS BAIRROS
Lembra daquela vila cheia de casinhas? Pois é, sumiu... Ouvi dizer que vão erguer outro condomínio igual ao seu, varanda "gourmet" e tudo. Ah, sim, a gente vai perder a vista aqui de casa. Mas, pra falar a verdade, até acho bom negócio. Valoriza a região.
Na São Paulo que não para de se reinventar, cenas assim são normais. Desde a industrialização e o consequente boom populacional, a cidade assumiu essa vocação: mudar, sempre e sem parar.
Construir, reinventar, erguer, colocar abaixo o que era sólido, dar espaço para o que é novo e outra cara para o que ninguém parecia mais se importar.
Como tudo isso acontece? Segundo especialistas ouvidos pela Folha, alguns vetores são os responsáveis: obras públicas, a desindustrialização da cidade e a valorização das regiões onde chegam as estações de metrô e os shoppings.
Aos 458 anos e com mais de 11 milhões de habitantes, São Paulo tem hoje a exata cara que esse processo lhe deu.
Nas páginas seguintes deste caderno especial, o leitor pode conferir algumas dessas mudanças, como elas aconteceram e projetos que contribuíram para isso.
Se São Paulo terá a cara que sonhamos, cabe a cada morador da maior cidade do país decidir e fiscalizar.
O novo Plano Diretor que vai moldar esse processo será votado neste ano na Câmara Municipal. O que está em jogo é mais do que o futuro da cidade, é o futuro do cidadão.
Qual São Paulo você quer?
ANTES DEGRADADA, REPÚBLICA RECUPEROU EM DEZ ANOS POPULAÇÃO QUE HAVIA PERDIDO EM VINTE
Ônibus cruzam a rua da Consolação com Rêgo Freitas
VANESSA CORREA
DE SÃO PAULO
Quando a produtora de moda Aline Prado, 28, decidiu se mudar de Higienópolis, sua motivação foi semelhante a de outras 13 mil pessoas que nos últimos dez anos foram para a mesma região: a efervescência e a boa localização da República.
Em uma década, o entorno da praça da República -com sua feirinha de artesanato aos domingos e o vaivém sem fim da estação de metrô que leva seu nome- renasceu.
Nesse período, o distrito praticamente recuperou toda a população que havia perdido entre 1980 e 2000.
Não que os problemas tenham sumido, mas o que foi durante muitos anos uma área sinônimo de degradação experimenta agora um pouco dos "anos de ouro" que viveu no passado.
Nos anos 1960, além se ser ponto de encontro dos expoentes da MPB paulistana, a República concentrava um comércio luxuoso repleto de joalherias, além das mais importantes agências de viagem e companhias aéreas, em uma época em que viajar de avião era luxo para poucos.
Mas, com a perda de importância do centro na economia da cidade, a República deixou o glamour para trás e se degradou ao ponto de perder, entre os anos 1980 e 2000, mais de 13 mil de seus 61 mil moradores.
Recentemente, o lugar passou a atrair solteiros e jovens casais e praticamente recuperou a população que tinha no final dos anos 1970. O censo de 2010 mostra que o distrito tem 57 mil moradores, mais da metade, solteiros.
São pessoas que se mudaram para a República para ficar perto de tudo. Tanto dos meios de transporte e dos empregos, quanto da avenida Paulista e da nova cena cultural que surge por ali e já está mais do que estabelecida na vizinha rua Augusta.
RENASCIDO
Nos últimos cinco anos, a República consolidou uma cena de teatro alternativo e barzinhos na praça Roosevelt, ganhou uma reformada biblioteca Mário de Andrade e, ao lado, na praça Dom José Gaspar, mais bares e roda de samba aos sábados.
Tudo isso além do surpreendente renascimento do edifício Copan, que de mal-afamado cortiço vertical em décadas passadas virou desejo "cult" de moradia para muitos paulistanos.
Afonso Prazeres, o síndico do prédio, conta que, com a decadência do centro nos anos 1970, os aluguéis ficaram "baratíssimos", comparados aos R$ 1.200 por uma kitchenette cobrados hoje. "Começamos a ter problemas com prostituição, drogas".
Hoje, o perfil dos moradores mudou. "A maioria é proprietário. São empresários, artistas, arquitetos, solteiros e casais jovens".
Até 1996, uma apartamento grande, com três quartos, "não valia R$ 70 mil". Hoje, diz Prazeres, o mesmo apê vale mais de R$ 800 mil.
A PÉ É MAIS FÁCIL
Outro endereço cobiçado na região da República é o edifício Louvre, do arquiteto Artacho Jurado (1907-1983).
Foi lá que no ano passado a produtora de moda Aline resolveu morar com o marido e os dois filhos pequenos.
Ela diz que, depois de trabalhar na decoração do Alberta #3, casa noturna recém-aberta ao lado do prédio, ficou "apaixonada por essa parte do centro".
Hoje, ela consegue fazer tudo o que precisa a pé. No mês passado, a família vendeu o carro, que depois de três meses sem uso estava com a bateria arriada e nem sequer ligava mais.
O marido de Aline, Luiz Campiglia, reabriu logo em frente do apartamento da família, na praça Dom José Gaspar, o antigo Paribar, que funcionou de 1942 a 1983 ali.
Com tudo assim tão perto, carro serve mesmo para quê?
Apesar de ainda estar "apaixonada" por esse pedaço da cidade, Aline acha que faltam serviços básicos na região central.
Boas escolas -os filhos estudam no colégio Sion, em Higienópolis- e bons supermercados são alguns deles.
Aline também reclama dos domingos à noite, quando tudo está fechado, e as ruas vazias. Nesses dias, ainda é impossível não ter a sensação de insegurança quando se anda pela região.
"Aqui tem coisa que vai pra frente e coisa que dá dó". Ela está falando da galeria Metrópole, também na praça.
O lugar, que no passado foi o centro das agências de viagem, hoje abriga empresas de telemarketing e uma praça de alimentação, segundo ela, "horrorosa".
Com a construção do viaduto do Chá sobre o vale do Anhangabaú, em 1892, surge o chamado centro novo, atual distrito da República.
Até a década de 1950, a região foi sede das empresas e de bancos.
Após a migração das companhias para a avenida Paulista, Faria Lima e Berrini, a região passou por um período de degradação.
Agora, estímulos públicos e a restauração de edifícios históricos, como o Theatro Municipal, renovam a importância cultural do centro. O próximo grande projeto retomará, ainda que em parte, a cara de bulevar que o parque Dom Pedro tinha ao ser criado, em 1925.
ENQUANTO SE MODERNIZAVA, SANTANA, NA ZONA NORTE, PERDEU POPULAÇÃO AO LONGO DOS ANOS
DE SÃO PAULO
Enquanto se transformava em reduto das baladas e tomava ares de boemia, Santana, na zona norte, também ganhou uma nova área nobre ao norte da rua Voluntários da Pátria, próximo ao hospital do Mandaqui, onde surgem apartamentos de alto padrão a cada dia.
Mas, ao mesmo tempo em que essas transformações ocorriam, o bairro perdeu parte expressiva de sua população, enquanto a zona norte, como um todo, ganhou. Cerca de 20 mil moradores deixaram o distrito desde 1990. Hoje Santana tem 118 mil habitantes, tantos quanto tinha na década de 1970.
O publicitário Fábio Teixeira, 45, "nadou contra a maré". Foi morar no bairro há 30 anos, um pouco acima do novo "Alto de Santana", hoje o ponto mais chique do lugar.
Com a chegada dos prédios, ao redor do Santana Parque Shopping, ele lamenta a perda da vista da janela de seu apartamento. "Já não consigo mais ver o Copan."
Outro motivo de descontentamento é o trânsito que pega para conseguir chegar até a marginal Tietê.
Tanto para a pesquisadora da Geografia da USP, Lívia Fioravanti, quanto para a urbanista Eunice Abascal, da FAU-Mackenzie, faz parte da dinâmica das metrópoles a valorização das áreas com a subsequente saída dos moradores de menor renda.
À medida que a região encarece, as pessoas de classes mais baixas tendem a ir para áreas mais distantes e menos valorizadas.
A "migração" dessas pessoas na cidade costuma ter como destino regiões com menos infraestrutura, e longe do metrô. Em Santana, há cinco estações da linha azul, enquanto o restante da zona norte não tem nenhuma.
"Novas centralidades geram novas periferias, pode ser até no mesmo bairro", explica Fioravanti.
Para a pesquisadora, uma explicação possível para a queda no número de habitantes, apesar dos novos prédios que surgiram no bairro, é a mudança do perfil da população. Saem famílias grandes e entram em cena as com maior renda e menos filhos.
FORASTEIROS
Não apenas o perfil dos moradores de Santana mudou ao longo dos anos.
O novo comércio e os bares recém-chegados também ocupam casas onde antes viviam famílias, observa o empresário Eduardo Britto, 49, especialmente nas imediações das estações de metrô.
De mudança em mudança, o "novo" bairro de classe média alta da zona norte atrai também um comércio mais sofisticado e já vê até o lançamento de prédios de escritórios de alto nível.
Além, é claro, da transformação de Santana em "point" das baladas, com a Dumont Villares e Engenheiro Caetano Álvares repletas de bares, restaurantes e casas noturnas.
(VANESSA CORREA)
Antes tomada por inúmeros sítios e chácaras, o desenvolvimento de Santana ganhou impulso com a construção da ponte das Bandeiras, parte do "plano de avenidas" do prefeito Prestes Maia, no início da década de 1940. A inauguração da marginal Tietê, em 1957, consolidou o crescimento da zona norte.
DE ACORDO COM A CET, O TRÂNSITO EM SÃO PAULO ESTÁ FICANDO MENOS LENTO. MAS NÃO é BEM ISSO QUE SE VÊ NAS
RUAS REPLETAS DE AUTOMÓVEIS
ANDRÉ MONTEIRO
DE SÃO PAULO
As conversas na fila do banco e no elevador são quase sempre sobre o tempo, mas em São Paulo há outro assunto campeão de audiência nessas situações: o trânsito.
Para surpresa de muitos motoristas, o monitoramento oficial, da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), mostra que os índices gerais de lentidão têm melhorado nos últimos anos.
Isso porque a companhia compara o tamanho dos congestionamentos com o restante da cidade.
Como a quantidade de vias monitoradas cresceu nos últimos anos, problemas graves nos principais corredores podem estar diluídos na frieza das estatísticas.
"Independentemente do levantamento, os congestionamentos são reincidentes. Estão sendo comuns em locais que não eram anos atrás", diz Thiago Guimarães, mestre em planejamento urbano e pesquisador de um instituto de transportes em Hamburgo, na Alemanha.
Uma coisa é certa: os grandes congestionamentos continuam ocorrendo. Nos últimos cinco anos, sempre houve pelo menos um dia em que as filas de carros parados passaram dos 200 km.
"O trânsito hoje atrapalha negócios, a vida pessoal. É um transtorno muito grande, que impede que a pessoa aproveite a vida de uma maneira mais produtiva", diz o engenheiro Sérgio Ejzenberg, mestre em engenharia de transportes pela USP.
MAIS RUAS, MAIS CARROS
As reclamações também aparecem nas pesquisas de opinião. De acordo com pesquisa feita pelo Ibope a pedido da Rede Nossa São Paulo, o paulistano dá nota 4,3 para "trânsito/transporte", numa escala que vai até 10.
Para os especialistas, a mudança desse quadro passa por priorizar os investimentos no transporte público.
"É um ciclo: abrem mais ruas, surgem mais carros, e o trânsito congestiona. Pode até melhorar momentaneamente, mas ao longo prazo não adianta nada", diz Guimarães, que também defende políticas de restrição ao automóvel. "Há grande resistência mas, enquanto o paulistano fizer cara feira para instalação de ciclovias, pedágio urbano e calçada mais larga, não vejo solução."
"Não tenho nada contra o carro, mas devem existir outra opções. Se todos pudessem usar mais o metrô, o trânsito, mesmo ruim, não afetaria a vida de 80% da população", diz Ejzenberg.
O SURGIMENTO DE LOJAS E CONDOMÍNIOS LUXUOSOS NO TATUAPÉ E ANÁLIA FRANCO ATRAI MORADORES PARA UMA REGIÃO
COM 'CARA DE INTERIOR'
DE SÃO PAULO
Você quer trocar seu apartamento em Moema por uma casa na zona leste? A resposta da empresária Sílvia Ornelas foi sim! E ela sabia bem o que estava escolhendo.
Escolheu, por exemplo, jogar tênis com o marido, Jorge, sem ter que disputar horário para usar a quadra nos clubes cheios da zona sul. E escolheu continuar tendo farta oferta de comércio, além de ficar perto de sua fábrica de luminárias.
Por todos esses motivos o casal se mudou para o Jardim Anália Franco, que oficialmente faz parte da Vila Formosa, mas é mais conhecido como "Altos do Tatuapé". Mas isso não importa, porque toda essa região é hoje um dos lugares mais desejados tanto por paulistanos da zona leste quanto pelos que moram em outras regiões.
As transformações que tornaram o Tatuapé um lugar tão cobiçado foram impulsionadas pela chegada do metrô, em 1981, e do shopping com o nome do bairro, em 1997.
O lugar, então essencialmente residencial, passou a ser uma nova centralidade, atraindo moradores.
Com isso, a população do Tatuapé, que oscilava em torno dos 80 mil habitantes já havia 30 anos, cresceu quase duas vezes a média da cidade de 2000 a 2010, passando aos atuais 91 mil moradores.
NOVOS E VELHOS
O surgimento do luxuoso bairro vizinho, onde até 40 anos atrás se via apenas campos de futebol, é mostra do poder de atração dos shopping centers.
O desenvolvimento do Jardim Anália Franco como é hoje, com prédios de apartamentos que chegam a ter mais de 400 m², tomou fôlego após a inauguração de um shopping, em 1991.
Mais recentemente, com os novos e velhos ricos da zona leste se mudando em massa para lá, lojas e restaurantes das zonas sul e oeste resolveram abrir filiais no bairro.
Nas imobiliária locais, os corretores avisam: não há mais imóveis comerciais disponíveis nas ruas Emília Marengo e Eleonora Cintra, onde se concentram as revendedores de automóveis importados, lojas de móveis, restaurantes bacanas, clínicas de estética e por aí vai.
"É como uma cidade de interior urbana, com qualidade de vida. Estamos adorando", diz a Sílvia, que veio de Moema, enquanto agenda na administração do parque Anália Franco (ou Parque Esportivo dos Trabalhadores), as aulas de tênis matinais.
O antigo Ceret foi inaugurado em 1975 pelo governador Laudo Natel para os operários da região, antiga área industrial da cidade.
A frequência mudou, e o local é hoje mais usado pelos empresários da região, além de servir de vista aos "apês" da rua Eleonora Cintra.
'QUASE NADA'
O empresário Natal Iannoni, 60, está no bairro há mais de 20 anos. Ele nasceu no "baixo Tatuapé" e lembra que havia lá "quase nada de comércio, praticamente só nas rua Silva Bueno, no largo do Bom Parto e na avenida Celso Garcia".
Quinze anos atrás ele abriu sua empresa, a Sleep House, em Moema, na zona sul. Hoje tem 27 lojas, uma no Jardim Anália Franco.
"Aqui tem tudo pertinho e não tem o trânsito da zona sul. Lá também os preços são mais altos. Se bem que o comércio daqui já está sentindo o gostinho de cobrar caro", diz.
(VANESSA CORREA)
A construção de shoppings e a chegada do metrô ditam o rumo do crescimento. O simples anúncio de uma nova estação ou de um novo shopping é suficiente para valorizar uma região.
MORADORES DA VILA MADALENA, NA ZONA OESTE, FAZEM ABAIXO-ASSINADO PARA QUE o BAIRRO SEJA TOMBADO; MEDIDA TENTA CONTER NOVOS PRÉDIOS NO LOCAL
NATÁLIA CANCIAN
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Maria Rosa, 60, viu o muro da casa onde mora na Vila Madalena crescer com o tempo. De um contorno baixo que marcava o terreno para um paredão de quase 13 metros de altura.
Maria não desanimou. Espalhou vasos de plantas para decorar a parede e montou uma revistaria para conviver com os novos vizinhos.
"Prefiro viver ao lado dos prédios a ter que pegar a Raposo Tavares", diz.
Principal reduto da boemia paulistana, a Vila Madalena é um dos melhores exemplos de como a vida se transforma rapidamente em São Paulo.
Até meados dos anos 1980, o local era predominantemente residencial, com suas casinhas térreas e mercearias. Hoje, bares e restaurantes começam a dividir espaço com lançamentos imobiliários -a maioria prédios comerciais de alto padrão.
Moradores já sentem as transformações, impulsionadas pela chegada do metrô. E mais devem vir até 2013, quando fica pronto o shopping que será construído ao lado da própria estação Vila Madalena do metrô.
Em menos de um ano, a vendedora Nádya Ruman, 66, diz que perdeu a conta de quantas casas viu sumir da paisagem a caminho do trabalho."Dá dó."
Os tapumes vermelhos de obras espalhados pelo bairro também geram desconfiança. "Mais 20 prédios? Isso aqui vai virar a Nova Délhi", reclama o fotógrafo Fernando Costa Netto.
MOVIMENTO
Enquanto construções invadem o cenário, não faltam tentativas para bloquear a verticalização. As ações vêm dos próprios moradores.
Na última semana, um abaixo-assinado virtual que pedia o tombamento do bairro reuniu mais de 700 assinaturas em apenas quatro dias.
Mas o movimento, cujo slogan é a frase "Antes que a casa caia", perdeu força. Agora, os moradores se organizam para fazer um "plano de bairro", nos moldes do plano diretor de São Paulo.
O objetivo é incentivar pequenos ateliês, criar praças, instalar bulevares e solicitar mudanças no trânsito.
O projeto tem auxílio da Idea!Zarvos, incorporadora responsável por pelo menos dez tapumes vermelhos espalhados na região. O sócio-fundador da empresa, Otávio Zarvos, afirma que há apenas três obras em curso.
A VILA LEOPOLDINA JÁ FOI UM PEDAÇO DA CIDADE 'LONGE' DE TUDO; HOJE, OS PRÉDIOS RESIDENCIAIS MUDARAM A CARA DO LOCAL E DEIXARAM O BAIRRO 'LOGO ALI'
DE SÃO PAULO
Henrique, 76, e Carmem Massareli, 74, se mudaram para a Vila Leopoldina em 1965. Ele queria ficar perto do trabalho, em uma das muitas indústrias que haviam se instalado no bairro da zona oeste. Na época o Ceagesp ainda estava sendo construído.
Hoje, enquanto a paisagem se transforma rapidamente, o casal resiste no bairro. Depois de virar polo de estúdios cinematográficos, que aproveitaram o espaço generoso dos antigos galpões, na última década a região ganhou condomínios instalados nos terrenos industriais.
Ao se casar, os dois filhos do casal não conseguiram ficar no bairro, devido ao preço dos imóveis. Hoje, Henrique e Carmem também cogitam vender a casa. "Se vierem com proposta, vendemos. Não vou brigar com cachorro grande", diz Henrique.
A "briga" a que o aposentado se refere faz parte de uma dinâmica da cidade que não poupou a Vila Leopoldina, e que tem nos empreendimentos residenciais o motor de sua transformação.
Por outro lado, o bairro hoje recebe os jovens que saem da casa dos pais em locais como Pinheiros, mas que não têm dinheiro para comprar imóveis no bairro nobre, diz Bruno Vivanco, diretor da imobiliária Abyara.
LONGE DO CENTRO
Do final do século 19 ao início do 20, a expansão do centro histórico e das casas da elite paulistana caminharam rumo ao oeste da cidade.
Campos Elísios, Higienópolis, avenida Paulista e mais tarde o Pacaembu, para abrigar primeiro a elite cafeeira e depois a elite industrial.
Em meados do século passado, após o rio Pinheiros ser retificado, novos bairros surgiram ainda mais a oeste, na antiga várzea alagada. A área norte do rio, próxima à ferrovia, recebeu indústrias e de moradia para operários.
Mas essa dinâmica logo se altera novamente. Na década de 1970 a expansão urbana passa a seguir a lógica do capital financeiro -a nova vocação econômica da cidade. O bairro se desindustrializa.
Os condomínios residenciais chegam antes de projetos de urbanização da prefeitura para a área, que previam até a remoção do Ceagesp.
O resultado, segundo a urbanista Eunice Abascal, da Faculdade de Arquitetura do Mackenzie, é que os novos moradores reclamam de alagamentos, dos caminhões e do lixo no entorno do Ceagesp, de falta de áreas verdes e de melhorias nas calçadas.
A valorização, enquanto cria uma nova centralidade, acaba por levar os moradores mais antigos, de menor renda, para áreas mais periféricas, diz Lívia Fioravanti, pesquisadora da Geografia da USP. Por isso, afirma, o Estado deveria garantir, com políticas de habitação popular, a permanência desses moradores.
(VANESSA CORREA E RAPHAEL MARCHIORI)
O processo de desindustrialização da cidade deixou grandes áreas livres, algumas delas degradadas. Nos últimos anos, essas áreas vêm sendo ocupadas por residências e prédios comerciais. O entorno da ferrovia é um exemplo.
GALERIAS DE ARTE E BALADAS ATRAEM ARTISTAS E MODERNINHOS PARA A BARRA FUNDA, NA ZONA OESTE; À BEIRA DOS TRILHOS, O BAIRRO MUDA RAPIDAMENTE DE CARA
DE SÃO PAULO
De 1850 até hoje, a Barra Funda, na zona oeste, já foi uma chácara, se transformou em reduto de imigrantes italianos, virou região industrial, até se tornar o novo bairro das baladas paulistanas.
Hoje, a região, com seu misto de casinhas e grandes galpões vazios -além dos prédios que começam a chegar-, atrai artistas em geral, que vêm se mudando para lá.
Mas a maior mudança está por vir. Como outras áreas da antiga orla ferroviária, a região é foco de um projeto de reurbanização que pretende levar cerca de 60 mil pessoas para o bairro nos próximos 10 a 15 anos.
Onde hoje há grandes galpões sem uso e casas, haverá um mar de prédios. A perspectiva e a valorização dos imóveis assusta alguns moradores, como Adriana Costa Campos, que mora na antiga vila ferroviária da estrada de ferro Sorocabana.
"Sempre tem algum boato de que vão fazer um condomínio aqui", lamenta.
O pai dela, Nélson Costa, 82, trabalhou desde os 14 anos até se aposentar como "conferidor" de mercadorias e bagagens na antiga ferrovia, que levava o café do interior ao porto de Santos, e, a partir de 1920, passageiros também.
Quando a família chegou, vinda de Sorocaba, "era tudo brejo". Na folga, "tinha jogo no campo, onde é hoje o metrô [estação Barra Funda] e o campus da Unesp".
Mas os vizinhos, "todos ferroviários", também se reuniam para jogar cartas e assistir a filmes mudos projetados na rua por um dos moradores, amante do cinema.
E Nélson ainda lembra de quando a rua terra de sua casa foi asfaltada, mediante taxa paga à prefeitura.
Para ele, "naquela época era muito mais gostoso viver ali, não tinha ladrão, não tinha nada", recorda.
Ciente de que tudo pode mudar muito rapidamente, Adriana, filha de Nélson, foi conferir os preços de apartamentos próximos ao Playcenter, logo ao lado.
Ela se assustou a ver que, se for sair dali, terá de pagar R$ 8.400 pelo metro quadrado, preço similar ao de bairros como o Jardim Paulista.
PIONEIRA
Uma parte dos que chegam à Barra Funda é atraída pelo surgimento de galerias de arte, bares e baladas, e por uma atmosfera "cool" que o local ganhou nos últimos anos.
A professora de arquitetura da FAU-USP, Maria Luiza Corrêa, 64, mudou para o bairro porque percebeu que pessoas ligadas a profissões criativas estavam montando seus escritórios por ali. "E porque a Vila Madalena já estava muito cheia".
Há nove anos, ela comprou e reformou um pequeno galpão industrial de 1920, onde montou sua casa e seu escritório.
(VANESSA CORREA)
SER PAULISTANO É CORRER O RISCO DE VER UMA CRACOLÂNDIA EXPLODIR EM NÓS
RICARDO LÍSIAS - ESPECIAL PARA A FOLHA
No ano passado, tive três endereços em São Paulo. Em janeiro, a feira mais perto ficava na Vila Madalena. Durante o mês de julho, eu ia comer pastel nos Jardins, onde os feirantes falam baixo. Passei o natal, ansioso para saber se conseguiria terminar a São Silvestre, na Saúde.
Aqui a colônia japonesa toma um ótimo caldo de cana. Se você acordar bem cedo, vai cruzar com os travestis saindo do trabalho na avenida Indianópolis. Alameda Lorena, um negócio desses é impossível. A Vila Madalena acharia a "Ramona" o máximo, mas ela não curte rastafári e roupa descolada.
Mudei igual a São Paulo: sem parar. O trânsito é ruim nos três bairros. Na Vila, os descolados andam devagar porque estão curtindo uma viagem. O pessoal bem sucedido dos Jardins tem 30 multas em seis meses, mas sabe que vai dar um jeito. Cuidado na Saúde: o dono do carro importado está nervoso porque pegou uma "Ramona" logo que escureceu, mas ninguém pode ver. Parar no farol seria muita exposição.
Os mendigos também variam. Se você viu um na Vila Madalena, ainda não se acostumou. Esse aí é um modernete, pateta! Nos Jardins moram as culturetes: maridos artistas que são um sucesso. Na Saúde, a Ramona é uma periguete indo trabalhar.
Não cresci em nenhum desses três bairros, mas em Artur Alvim, na zona leste. Estão querendo mandar os noias da cracolândia para a periferia.
Eles não vão: os grupos de extermínio matam mesmo. A feira é animada e as duas da tarde o pessoal da favela pega a salada do jantar. O trânsito também é sossegado. Uma vez atropelaram uma garotinha e o povo linchou o motorista.
Mudei muito, mas descobri São Paulo em agosto do ano passado, quando me machuquei muito na esquina da Paulista com a Pamplona. Então soube onde realmente estou. Você pode chorar desesperado na frente do Masp.
Talvez achem que é uma instalação. Parecia que eu estava tendo alucinações, com meu corpo cortado, mas as pessoas não queriam saber.
Ser paulistano é correr o risco de ver uma cracolândia explodir dentro da gente.
RICARDO LÍSIAS É ESCRITOR, AUTOR DOS ROMANCES "COBERTOR DE ESTRELAS", "DUAS PRAÇAS" E "O LIVRO DOS MANDARINS"
SÃO PAULO PRECISA ACABAR COM A NOSTALGIA OU ELA ACABA COM SÃO PAULO
CHICO MATTOSO
ESPECIAL PARA A FOLHA
Costumo ter certa aversão à nostalgia. Irmã do melodrama, prima do clichê, madrinha da poesia barata e da filosofia de botequim, ela normalmente reflete uma espécie de miopia às avessas, uma incapacidade de olhar em volta e admitir que as coisas são como são. O nostálgico é um pouco como aqueles cachorros que ficam latindo pro mar, na esperança de que as ondas fujam correndo.
Mas isso não se aplica a tudo. Vejamos o exemplo do paulistano. O paulistano é dependente da nostalgia. Tirem-nos o passado, e vagaremos por aí como zumbis, à procura de algo em que nos agarrar, alguma coisa imutável e constante, que nos dê uma ilusão qualquer de eternidade. É uma necessidade fisiológica. Em São Paulo, a gente sente nostalgia até do ano que passou.
O tempo em que se jogava bola na rua; o tempo em que a Vila Madalena era um protetorado de hippies e malucões; o tempo em que a Berrini não existia; o tempo em que o copo de chope não custava mais caro que o litro da gasolina. O cérebro do paulistano é um amontoado de casas demolidas, bairros desfigurados, bares extintos, hábitos abandonados -uma série, enfim, de realidades interditadas pela passagem do tempo, dos tratores e da vontade de fazer um troquinho.
De que São Paulo sentiremos falta daqui a 20 ou 30 anos? Eu não faço a menor ideia. Imagino, e gostaria muito de estar errado, que a cidade seguirá devorando a si mesma, deixando-se levar por soluções cosméticas, trocando planejamento por conveniência, enchendo a própria cara de botox arquitetônicos, como uma Donatella Versace do urbanismo -e, ao final, sentindo uma saudade mais angustiada de si.
Não sei o que seria pior em 2042: ver que São Paulo já estava arruinada 30 anos antes ou, ao contrário, sentir saudades do tempo em que se levava duas horas -imagina, rapaz, que coisa maravilhosa!- para ir da região central à zona leste da cidade.
Alguma coisa precisa acontecer. Ou São Paulo acaba com a nostalgia, ou a nostalgia acaba com São Paulo.
ESCRITOR, CHICO MATTOSO PUBLICOU OS ROMANCES "LONGE DE RAMIRO" E "NUNCA VAI EMBORA", EDITADO EM 2011 PELA COMPANHIA DAS LETRAS
PLANOS DE DESENVOLVIMENTO SEMPRE EXISTIRAM EM SÃO PAULO; O PROBLEMA É QUE NEM SEMPRE SE TORNARAM REALIDADE
EVANDRO SPINELLI
DE SÃO PAULO
LEONARDO RODRIGUES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Diz-se que São Paulo cresceu sem planejamento. Não é verdade. Planos não faltaram. E a cidade que temos hoje, com suas virtudes e seus defeitos, é resultado desses planos. Como o Código Arthur Saboya, de 1929. Ou o plano de avenidas do prefeito Francisco Prestes Maia, na década de 1930. E a retificação dos rios Pinheiros e Tietê.
Outras obras pontuais também ajudaram a moldar a São Paulo de hoje e do futuro. Como o viaduto do Chá, que abriu caminho para um "centro novo" do outro lado do Anhangabaú. Ou a ponte das Bandeiras, que acelerou o desenvolvimento da zona norte. E mesmo o Elevado Costa e Silva, o Minhocão, de 1970, obra de trânsito que acabou por gerar degradação de parte do centro de São Paulo.
Não é por falta de planejamento que São Paulo se tornou o que ela é hoje. "O problema é a falta de implantação do planejamento", afirma o secretário de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem.
PROJETO NOVA LUZ QUER REVITALIZAR REGIÃO CONHECIDA COMO CRACOLÂNDIA; NO ENTANTO, NÃO É A PRIMEIRA VEZ
DE SÃO PAULO
Assolado por uma crise de saúde pública, o bairro de Santa Ifigênia sofre uma forte ação das autoridades, criticadas por uma suposta "higienização" do local.
Resolvido o problema sanitário, virá a mudança urbanística: um grande projeto de revitalização que pode ser feito pela iniciativa privada.
Trata-se do bairro que a prefeitura rebatizou de Nova Luz, mas é mais conhecido mesmo como cracolândia. Hoje ou há um século, a história parece se repetir.
CÓLERA
Final do século 19. Um surto de cólera atinge São Paulo. Medidas duras contra cortiços e outras moradias populares são decretadas.
O bairro de Santa Ifigênia, apinhado de cortiços, é um dos mais atingidos.
Em 1886, uma lei municipal havia proibido "casas populares e operárias" no "perímetro do comércio". Assim, os cortiços foram praticamente extintos da área nobre.
Com isso, Santa Ifigênia pulou de 12 mil habitantes em 1890 para quase 43 mil em 1893, um acréscimo de mais 30 mil pessoas em três anos.
Em 1910, um grupo de empresários e proprietários de terra, entre eles o arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo, apresenta um projeto para revitalizar a região.
Batizado de "Grandes Avenidas", previa a construção de vias entre as periferias e o centro. Em troca, queriam a desapropriação de imóveis para depois revendê-los, além de incentivos ficais.
O projeto não saiu do papel. A crise sanitária, ao menos, foi resolvida e o bairro virou polo de comércio de eletroeletrônicos, ancorado na rua Santa Ifigênia.
CRACK
Desde a década de 1990, o bairro de Santa Ifigênia, vizinho das estações Júlio Prestes e Luz, ficar conhecido como cracolândia, local onde usuários de crack consomem a droga nas ruas, à luz do dia.
Desde então, a prefeitura promete revitalizar a área. Primeiro, lavando as ruas todos os dias. Depois, com projetos "âncora", como a Sala São Paulo e o Museu da Língua Portuguesa.
Em 2005, uma nova ideia: dar incentivos fiscais para empresas se instalarem na região. Só duas foram.
Em 2009, a prefeitura lança outra iniciativa: fazer uma concessão urbanística da área. Pelo projeto, chamado Nova Luz, uma empresa ganhará o direito de desapropriar os imóveis e revendê-los com lucro numa área valorizada em troca de implantar obras de interesse público. Tudo como em 1910. A diferença é que agora a iniciativa é da prefeitura.
Soma-se a isso a ação da PM, que age contra traficantes e usuários de drogas. O resultado, por enquanto, é a migração dos viciados para bairros próximos. Mas há promessas também de ações de saúde e assistência social.
A licitação para a escolha da concessionária está para ser lançada. Falta apenas o aval dos órgãos ambientais. As obras de transformação levarão ao menos 15 anos.
Enquanto isso quem espera "ansioso" para ver a cracolândia transformada em Nova Luz é o síndico José Anselmo Coelho, 50, que mora na rua dos Gusmões. "Há uns 20 anos que a prefeitura fala em projeto para o bairro. Mas não sai do papel", reclama.
O maranhense Anselmo chegou ao bairro há 15 anos e diz gostar. Porém, parentes que moram em outros lugares têm medo. "Aqui eu não recebo visita."
(EVANDRO SPINELLI E VANESSA CORREA)
AS OBRAS PÚBLICAS AINDA NEM CHEGARAM, MAS OS MORADORES DE ITAQUERA, NA ZONA LESTE, AGUARDAM A VALORIZAÇÃO DA REGIÃO E NÃO QUEREM VENDER SEUS IMÓVEIS
DE SÃO PAULO
Rodoviária, fórum, parque linear, centro de convenções e uma incubadora de empresas da USP. E o vetor disso tudo é um estádio, o Itaquerão, a arena do Corinthians que irá sediar a abertura da Copa de 2014.
Até lá, o bairro da zona leste passa por uma fase de preparação para as mudanças que já vem afetando sensivelmente a vida dos moradores.
Segundo corretores de imóveis, houve uma queda de até 50% nas vendas desde o anúncio da sede, em maio de 2010. Apartamentos da Cohab, por exemplo, chegam a custar hoje até R$ 120 mil. Antes das obras, não passavam da casa de R$ 70 mil.
Luiz Paulo Pompéia, diretor da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio), admite que pode ter faltado um estudo de mercado adequado em Itaquera.
"Alguns empreendedores estão abusando um pouco, por isso existe o risco de falta de liquidez na região."
A dona de casa Vanda Andrade Moraes, 47, por exemplo, mudou-se de um apartamento da Cohab para um sobrado de três dormitórios. Pagou R$ 300 mil.
"Os preços aqui estão mais altos mesmo, mas o bairro vai valorizar ainda mais", afirma.
De acordo com dados da Embraesp, no ano passado, foram lançados 804 novas unidades com dois dormitórios em Itaquera.
Com área útil média de 52 m², o preço médio do metro quadrado para esses imóveis foi de pouco mais de R$ 3 mil -valor considerado alto pelos corretores. No bairro mais desejado da zona leste, o Tatuapé, o valor é de R$ 5,8 mil.
A supervalorização e a perspectiva de mudanças assusta parte dos antigos moradores. Vladimir Américo Giannetti, 50, nasceu e morou ali quase toda a vida.
Ele saiu de Itaquera uma vez, quando se mudou para a rua Joaquim Eugênio de Lima (centro). "Mas fiquei só um ano lá porque aqui é minha casa", argumenta.
Agora, Giannetti pretende abandonar o bairro onde morou toda a vida. "Isso aqui vai virar o centro, vai ser tomado por prédios. Por isso, vou para o interior."
MUDANÇAS
Se Itaquera vai se transformar em um importante centro na cidade, só o tempo dirá. Mas é certo que o bairro sofrerá grandes mudanças até 2014. Um polo tecnológico está sendo erguido pelo governo do Estado ao lado da arena corintiana.
A obra deve ser entregue em dezembro de 2013, mesmo prazo prometido para o estádio, e contará com unidades da Fatec-SP, Etecs (escolas técnicas) e Senai.
Até 2014, os trens e estações da CPTM e metrô devem receber investimentos da ordem de R$ 1 bilhão para tentar driblar a superlotação e a lentidão dos sistemas.
A linha 3-vermelha do metrô, por exemplo, é a mais lotada de São Paulo. Além disso, também está previsto um conjunto de novas vias em torno do polo tecnológico, que deve consumir cerca de R$ 478 milhões.
O futuro estádio corintiano também já tem mudado a cara de Itaquera. Antes mesmo do clube definir o nome da arena, apelidada de Itaquerão, comerciantes da região já mudaram o nome de alguns estabelecimentos para a alcunha indesejada pelo Corinthians -que pretende vender os direitos do nome e faturar com o batismo.
A Folha percorreu o bairro e, dois anos antes da inauguração do estádio, encontrou dois estabelecimentos batizados com o superlativo de Itaquera. "A população já pegou o nome", diz Ismael Pignatari, supervisor do mercado Itaquerão.
O diretor de marketing corintiano, Luís Paulo Rosenberg, criticou a imprensa pelo nome extraoficial. "Isso irrita, agride, demonstra desprezo."
(RAPHAEL MARCHIORI)
PRIMEIRO PLANO DE LONGO PRAZO DA CIDADE QUER EVITAR CRESCIMENTO DESORDENADO NAS PRÓXIMAS TRÊS DÉCADAS
DE SÃO PAULO
Em 2040, o ideal do paulistano é que a viagem de casa ao trabalho leve no máximo meia hora e os rios estejam despoluídos.
Entre os 25.389 mil moradores de São Paulo consultados sobre como deve ser a cidade daqui a 30 anos, 20,1% acham que a prioridade é a "cidade de 30 minutos". Um pouco menos, 19,9%, querem que ela volte a ter "rios vivos".
Os resultados fazem parte da consulta pública feita pela prefeitura para fazer um projeto de longo prazo para a capital paulista.
Para chegar ao sonho dourado, o paulistano listou como principais desafios melhorar a infraestrutura urbana, recuperar a qualidade ambiental e aproximar moradia e emprego.
Para o secretário de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem, embora São Paulo seja uma potência econômica, ela tem problemas que só serão superados com um planejamento de longo prazo, complementar ao plano diretor (que dura 10 anos).
O projeto SP2040, entretanto, não passará pela Câmara Municipal, nem deve se tornar lei, de acordo com o secretário.
DESCRENÇA
A estratégia para sua implementação é o "engajamento" da sociedade, que a prefeitura pretende criar com as consultas públicas e com a adesão de 24 associações da indústria, do comércio, de bairro e de profissionais liberais, como a OAB e o recém-criado Conselho de Arquitetura e Urbanismo da cidade.
No entanto, será preciso driblar o sentimento de descrença do paulistano. Enquanto 93% das pessoas consultadas acham o SP2040 uma iniciativa boa ou excelente, apenas 4% acreditam que ela será completamente executada, e 55% creem que terá pequena ou nenhuma implementação.
CONSULTAS
Uma das primeiras etapas do projeto foram as consultas feitas com 279 especialistas, por meio de questionário eletrônico.
Já consultas públicas foram feitas por meio de diversas plataformas.
Pela internet (13.654 pessoas), através de tablets em estações de metrô e trem (9.808), nas oficinas promovidas nas 31 subprefeituras (808), e em workshops e seminários (840).
Entre as pessoas consultadas, 76% possuem nível superior, enquanto que esse índice no município é de apenas 12% (dados de 2007).
Segundo o professor James Wright, que participou do levantamento, essa discrepância não interfere no estudo porque no grupo com baixa escolaridade os resultados foram semelhantes aos de alta escolaridade.
PLANO DIRETOR
O SP2040, plano de longo prazo para a cidade de São Paulo, servirá como referência para a revisão do Plano Diretor, que ocorre neste ano.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem, a compatibilidade entre os dois instrumentos de planejamento urbano foi bem debatida. "Deve haver sinergia entre os dois", afirma.
A revisão do Plano Diretor é responsabilidade da pasta de Bucalem. "Meus técnicos que têm formação para plano diretor estão totalmente envolvidos no SP2040".
Mesmo complementares, os dois planos, no entanto, não estarão oficialmente vinculados, diz o secretário.
"O SP2040 auxilia o Plano Diretor no sentido de criar uma referência de longo prazo. Já o Plano Diretor ajuda na revisão e no aprimoramento do SP2040."
(VANESSA CORREA)
Duas regiões da cidade vivem hoje em pleno processo de mudança no embalo de projetos públicos. A cracolândia, no centro, está recebendo uma forte ação policial e, depois, será revitalizada por empresas privadas. E Itaquera, na zona leste, aproveita a onda da Copa do Mundo de 2014 para receber investimentos. No entorno do futuro estádio do Corinthians, financiado com recursos públicos e isenções fiscais, estão sendo feitos avenidas e equipamentos públicos, como escola técnica e Fórum.
UMA CIDADE MAIS VERDE, COM TRÂNSITO MENOR E MELHOR PARA OS PAULISTANOS DEPENDE DA DECISÃO QUE OS VEREADORES PRECISAM TOMAR NESTE ANO
DE SÃO PAULO
Ano de eleição, 2012 é também o ano de fazer um novo plano diretor para São Paulo. Se for aprovado, será o quarto plano de desenvolvimento urbano aprovado na cidade -os anteriores são de 1971, 1988 e 2002.
O texto deve projetar a cidade em 2025, com mais parques, mais transporte público e menos deslocamentos, estabelecendo restrições de construção em áreas saturadas e estimulando em locais com mais infraestrutura.
Para saber onde adensar e onde restringir, está sendo estudada a infraestrutura de cada região. O plano diretor deve ser uma "carta de intensões" a ser depois detalhada na nova Lei de Zoneamento.
PLANOS NA HISTÓRIA
O embrião do que pode ser chamado de primeiro plano diretor da cidade foi criado e começou a ser implantado em 1792 pelo então governador da província José Maria de Lorena, conde de Sarzedas.
A partir de "um plano para guiar a cidade em seu crescimento", Lorena determinou a construção de uma ponte sobre o rio Anhangabaú, permitindo a ligação de São Paulo com a estrada de Sorocaba, hoje rua da Consolação, e abrindo caminho para a criação de uma "cidade nova" em direção ao oeste.
Desde então, e até 1970, a cidade teve mais de uma centena de leis estabelecendo diretrizes para a ocupação e desenvolvimento urbano.
Foram elas que moldaram o centro e permitiram a criação de bairros como Campos Elíseos e Higienópolis.
Por exemplo, uma lei de 1898 estabeleceu recuo mínimo frontal de seis metros nas construções nas avenidas Higienópolis e Angélica. Isso inviabilizava cortiços.
Em 1920, uma lei estabeleceu altura mínima de cinco metros para imóveis no centro. A ideia era adensar a área, o que abriu caminho para arranha-céus como o edifício Martinelli, de mais de cem metros de altura.
Em 1971, a Câmara Municipal aprova o primeiro plano diretor de São Paulo.
O objetivo era preparar a cidade para ter 12 milhões de habitantes -hoje são cerca de 11 milhões- "com circulação fácil, de carro ou metrô, e uma vida menos angustiante do que a capital dos anos 1950 e 1960", segundo reportagem da Folha publicada em 1º de janeiro de 1972.
O plano reduziu a altura máxima dos prédios e dividiu a cidade, pela primeira vez, em zonas de ocupação (residenciais unifamiliares, mistas, etc.), princípio mantido até hoje.
(EVANDRO SPINELLI)
SÃO PAULO PODE MAIS DO QUE DOBRAR NOS PRÓXIMOS TRINTA ANOS: MAS ANTES A CIDADE TEM QUE RESOLVER SEUS PROBLEMAS CRÔNICOS
DE SÃO PAULO
Uma condição paira sobre sobre São Paulo. Se a cidade conseguir melhorar a qualidade de vida que oferece a seus moradores, em 2040 cada paulistano ganhará mais do que o dobro do que ganha hoje, em média.
Com isso, a renda per capita será de R$ 93 mil. Esse impulso na economia será ancorado especialmente no crescimento de atividades criativas, ligadas à indústria do entretenimento, comunicação, lazer e turismo.
No entanto, caso os problemas de congestionamento, falta de área verdes e segurança persistam na vida dos paulistanos, a cidade não conseguirá acompanhar de perto o crescimento médio projetado para o país, de 3% a 3,5% ao ano.
A previsão é do Profuturo (Programa de Estudos do Futuro), da FIA (Fundação Instituto de Administração) da USP.
Mas o que tem a ver qualidade de vida com o crescimento da economia?
Como a população de São Paulo vai crescer pouco, o aumento da renda média do trabalhador que mora em São Paulo depende do aumento da produtividade de seu trabalho, ao gerar serviços com alto valor agregado.
Isso, além de produzir mais em setores como tecnologia, serviços de saúde, educação, lazer, entretenimento, diz o professor James Wright, do Profuturo.
Esses trabalhadores do futuro terão de ser cada vez mais qualificados. E gente qualificada é disputada.
"A competição entre cidades para hospedar bons empregos e pessoas talentosas é cada vez mais forte. Isso ocorre porque as empresas podem buscar lugares alternativos, e é mais fácil realocar uma operação de serviços do que uma operação industrial", afirma Wright.
Por isso, diz o professor, se São Paulo não corrigir seus desequilíbrios, vai ser tornar cada vez menos dinâmica e menos atrativa para empresas e mão de obra especializada, já que às vezes um bom salário não compensa a falta de qualidade de vida.
"Estaremos competindo com cidades como Rio, Buenos Aires, Bogotá, Miami e Cidade do Cabo", explica Wright.
(VANESSA CORREA)
Arquiteta e decoradora dos ricos e famosos abre empresa de negócios imobiliários, cuja meta é comercializar R$ 200 milhões no país neste ano
Françoise Terzian
A bolha imobiliária que nocauteou os Estados Unidos e transformou milhares de imóveis de Miami em residências fantasmas em 2008 encontrou no real forte e no apetite dos brasileiros abastados uma forma de reviver a Miami dos tempos dourados. Entre o final de 2011 e o início de janeiro, vários brasileiros voaram de primeira classe ou em poltronas da executiva para a cidade mais brasileira dos EUA a convite de incorporadoras americanas. Lá, ficaram cinco dias visitando imóveis que custam entre US$ 300 mil e US$ 10 milhões e, nos intervalos, aproveitaram para ir às compras e se deliciar com pratos à base de frutos do mar. No final, muitos retornaram ao Brasil proprietários de um imóvel na cidade. A arquiteta e decoradora paulista Bya Barros, figura conhecida entre os ricos e famosos e exmulher de Carlos Jereissatti (do Shopping Iguatemi), está por trás de algumas dessas negociações. Ela acaba de abrir a Bya Barros Negócios Imobiliários,em sociedade com Humberto Anzzelotti, ex-diretor comercial da construtora São José, especializada em imóveis, shoppings, hotéis e loteamentos de alto padrão.
Com foco na venda e compra de imóveis em Miami, São Paulo, litoral e interior paulista, e Angra dos Reis (RJ), Bya e Anzzelotti pretendem comercializar R$ 200 milhões em imóveis no Brasil, neste primeiro ano de operação da nova empresa. A comissão sobre a venda dos imóveis é mantida sob sigilo. Sabe-se apenas que, em Miami, a comissão para imóveis novos gira em torno de 4%. “Fiz as provas e tenho registro no Creci (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis). Quem trabalha com decoração está ligado a imóveis. Meu capital social, que é a minha rede de relacionamentos, sempre me pediu conselhos na hora de comprar e vender imóveis de alto padrão”, conta Bya. Ela conta que a crescente demanda por indicações de gente para comprar e vender a levaram a abrir o negócio, cujo diferencial é o sigilo absoluto, o atendimento personalizado e a oferta gratuita de um projeto de decoração assinado por ela própria para quem acerta a compra de um imóvel com ela. “Não somos uma imobiliária comum e também não usamos nomes pomposos como ‘prime’ ou ‘private’ como fazem os outros. Aqui quem atende o cliente sou eu ou meu sócio. Tudo é tailormade (feito sob medida)”.
Bya comercializa tanto imóveis residenciais quanto comerciais de alto padrão. No momento, sua joia da coroa é uma apartamento duplex situado na rua Itacema, no Itaim Bibi, pertencente a umcasal que está se separando. Todo decorado — com alguns objetos do designer francês Philippe Starck — e até copos de cristais. “Quem comprar só precisa entrar com o cabide. O imóvel custa R$ 9,2 milhões e deve ser vendido em, no máximo, três meses”, conta Bya, entre risadas e confidências. “Tem pai vendendo imóvel escondido da filha e ela nem pode imaginar”, diz a nova corretora da praça, assegurando sigilo. ■
ESTADOS UNIDOS
Até o final deste ano, muitos bancos americanos devem colocar à venda imóveis que foram hipotecados no passado e posteriormente abandonados pelos proprietários com o estouro da bolha imobiliária americana. “Tem muita coisa boa que será vendida, como residências e escritórios. E não vamos nos focar só em Miami, mas em todos os Estados Unidos”, afirma Humberto Anzzelotti, sócio da Bya Barros Negócios Imobiliários.
Já no Brasil, além de residências de luxo, a empresa também está mirando as lajes corporativas em regiões movimentadas da cidade, como Faria Lima e Vila Olímpia. No complexo onde será inaugurado o Shopping JK Iguatemi, Anzzelotti conta que sua empresa tem duas lajes (andares) inteiras para serem vendidos no edifício comercial Sky. Cada andar, de mil metros quadrados, custa R$ 16 milhões. “Éum valor baixo se compararmos com o preço do metro quadrado da região.” ■ F.T.
CAROLINA MATOS
TONI SCIARRETTA
DE SÃO PAULO
Esse indicador -que terminou o ano passado em 49,1- considera o desempenho da indústria em relação ao esperado em cada mês. Já na comparação com a atividade do mês anterior, o resultado de dezembro de 2011 foi ainda mais fraco: 47,6 pontos.
Considerando todos os segmentos, o número de empregados caiu em dezembro pelo segundo mês seguido. O indicador ficou em 48 pontos.
No mercado residencial, as construtoras ajustam o total de lançamentos para evitar "encalhe" e queda de preços.