(Valor Econômico - São Paulo/SP - EU & INVESTIMENTOS - P. D4 - 11/11/2011)
Por Chiara Quintão | De São Paulo
A Cyrela Brazil Realty espera que os estouros de orçamentos de obras referentes a lançamentos de 2008 e 2009 deixem de ter efeito nos seus resultados a partir do terceiro trimestre de 2012. A expectativa de margem bruta para o ano fica entre 32% e 34%.
"A melhora ocorrerá, paulatinamente, ao longo do ano", diz o vice-presidente financeiro da Cyrela, José Florencio Rodrigues. Os projetos imobiliários lançados em 2010 e 2011, ganham mais participação na composição do indicador com o avanço de suas respectivas obras, têm margens maiores que os 2008 e 2009.
Ao divulgar os resultados de 2010, a Cyrela informou que a revisão dos custos de obras apontou estouro de orçamento acima de R$ 500 milhões. Parte desse valor foi contabilizada nos resultados do quarto trimestre do ano passado, o que fez com que a margem bruta da companhia caísse para 24,5% no período. O restante passou a ser contabilizado nos resultados à medida que ocorreu o avanço das obras.
No primeiro trimestre, a margem bruta da Cyrela ficou em 27,4%, no segundo, 27,7% e, no terceiro trimestre, 28,6%. "No quarto trimestre, teremos margem muito superior à do último trimestre de 2010 e melhor que a do terceiro trimestre de 2011", afirma Rodrigues.
Segundo ele, no intervalo de janeiro a março de 2012, haverá "efeito residual" dos estouros de orçamento e, no segundo trimestre, "efeito bem residual".
A empresa não descarta, porém, que a margem histórica de erro de orçamento, entre 2,5% e 3%, continue ocorrendo. "Mas isso está contingenciado na própria viabilidade das obras."
O vice-presidente financeiro ressaltou que o estouro de orçamento ficou concentrado em "poucas obras". "Cinco obras foram responsáveis por 40% do estouro total", diz o executivo. Entre 80% e 90% do estouro foi registrado em 15% das obras do período de 2008 a 2010. Uma das estratégias da Cyrela para melhorar suas margens é elevar a parcela orgânica das obras, ou seja, aquela executada pela própria companhia. Dos lançamentos do terceiro trimestre, 90% serão executados organicamente.
A Cyrela lançou R$ 1,76 bilhão no terceiro trimestre (incluindo a participação dos sócios nos empreendimentos) e R$ 4,56 bilhões no acumulado de janeiro a setembro. "Até o fim do mês, teremos lançado 85% do ponto inferior da meta para o ano e, em meados de dezembro, 100%. Parte da liberação dos projetos que faltam está bastante avançada", diz Rodrigues.
No terceiro trimestre, a companhia registrou lucro líquido de R$ 147 milhões, 16,6% menor que o do mesmo período do ano passado. A receita líquida aumentou 34,2%, para R$ 1,56 bilhão. O lucro operacional medido pelo Ebitda subiu 3,2%, para R$ 227 milhões. Já o resultado financeiro teve queda de 68,2%, para R$ 7 milhões.
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sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Estouro de obras sairá do balanço da Cyrela no próximo ano
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