quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Venda de imóvel residencial novo em SP cai 20% em 2011

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MARCELO REHDER - O Estado de S.Paulo

Depois de um boom nos quatro anos anteriores, as vendas de imóveis residenciais novos em São Paulo apresentaram forte queda em 2011. De acordo com o Sindicado da Habitação (Secovi), de janeiro a novembro do ano passado foram vendidas 24.491 unidades novas no Estado, número 20,8% menor que os 30.909 imóveis comercializados em igual período de 2010. Foi o pior resultado depois de 2005, quando as vendas somaram 21.029 unidades em 11 meses.

O número de lançamentos ficou praticamente estabilizado no mercado paulista. Foram lançadas 30.587 unidades entre janeiro e novembro de 2011, o que representa ligeiro aumento de 1,3% em relação ao mesmo período de 2010 (30.198 unidades).

Para especialistas, os números de 2011 podem ser um sinal de que o mercado começa a se estabilizar em um novo patamar de vendas.

O economista-chefe do Secovi, Celso Petrucci, lembra que a análise da evolução do mercado no ano passado deve levar em conta que 2010 foi um "ano fora da curva" ou seja, teve resultados excepcionais. Além disso, cita alguns fatores determinantes para a perda de ritmo do mercado imobiliário.

"Primeiro, o Brasil reduziu o crescimento do seu PIB (Produto Interno Bruto), de 7,5%, em 2010, para algo em torno de 3,5% no ano passado", cita o economista. Além disso, em 2010 o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida ainda estava "rodando freneticamente", e passou os primeiros seis meses de 2011 praticamente parado, enquanto o governo fazia a regulamentação da fase dois do programa.

Um terceiro fator negativo foi o agravamento da crise econômica mundial, principalmente na zona do euro. "Boas noticias favorecem o mercado, enquanto más noticias levam as pessoas a pensarem mais na hora da comprar um imóvel", diz o economista. Aliado a tudo isso, o mercado promoveu forte recuperação dos preços dos imóveis entre 2009 e 2011.

"Uma das leis mais básicas da economia reza que quanto maior o preço menor a demanda", diz o economista Eduardo Zylberstajn, coordenador da pesquisa FipeZap, que acompanha a a evolução dos preços dos imóveis nas principais regiões metropolitanas do País.

Para ele, chama a atenção o fato de o número de lançamentos ter ficado estável no ano passado. "2010 foi um ano em que as vendas superaram os lançamentos, e por isso os preços subiram muito", diz o economista. Agora, os números estão muito próximos, indicando que o mercado pode estar perto de um novo ponto de equilíbrio.

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