segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

“Minha Casa, Minha Vida” Impulsiona Resultado da MRV

janeiro 25, 2012, 11:19 pm |

A companhia anunciou a meta de vendas de até R$ 5,5 bilhões em 2012. Em 2011, 88% das vendas da construtora foram elegíveis ao programa habitacional.

O ano começa com notícias de gangorra no setor de construção civil, com empresas de forte desempenho em vendas no ano anterior, e outras que tiveram um resultado menor do que o esperado. Uma das áreas que mesmo com o “apagão” na mão de obra, devido à alta demanda, foi responsável por boa parte das contratações formais na área de Serviços, que liderou em número de pessoas, a empregabilidade no País no ano passado parece ter visto melhores resultados entre as construtoras que estiveram mais envolvidas com o projeto habitacional “Minha Casa, Minha Vida”. É justamente este o caso da construtora MRV principal parceira da Caixa Econômica Federal (CEF) no programa, e que atingiu cerca de R$ 4,322 bilhões em vendas contratadas em2011.

O resultado representa alta de 15% ante 2010 e cumpre o piso da meta de vendas para o ano, estipulada em um valor que varia de R$ 4,3 bilhões a R$ 4,7 bilhões. Para 2012, a companhia, cujo presidente é Rubens Menin, anunciou a meta de vendas de R$4,5 bilhões a R$ 5,5 bilhões, com margem Ebitda de 24% a 28%. Em 2011, a MRV manteve o foco no “Minha Casa, Minha Vida”. Em todo o ano, 88% das vendas da construtora foram elegíveis ao programa. Nos lançamentos,foram 85%.

Com o resultado, a MRV apresentou o quarto maior valor de vendas contratadas entre as incorporadoras e construtoras que divulgaram suas prévias operacionais até hoje, atrás apenas da PDG Realty (R$ 7,5 bilhões), Cyrela (R$ 6,5 bilhões) e Brookfield (R$4,4bilhões). Segundo o diretor-executivo de Finanças da MRV Leonardo Corrêa, as vendas em 2011 foram impulsionadas pela demanda por imóveis residenciais, que permanece consistente no País. “Estamos vendo um mercado forte, com as classes C e B direcionando o bolso para o consumo de imóveis”, afirmou o executivo.

No último trimestre de 2011, a MRV alcançou o melhor trimestre de vendas contratadas da história da companhia, com R$ 1,4 bilhão, o equivalente a 13 mil unidades comercializadas. O dado também representa aumento de 25% em relação ao registrado no mesmo trimestre do ano anterior. Na avaliação de Corrêa, mesmo que o valor das vendas em 2011 tenha ficado no piso da meta, o resultado foi positivo. A MRV obteve volume de lançamentos de R$ 4,632 bilhões em 2011, crescimento de apenas 1% em relação ao ano anterior. Ainda conforme informações de Leonardo Corrêa, o crescimento foi menor neste quesito porque a construtora havia começado o ano passado com um volume maior de imóveis em estoque.

Velocidade de vendas

No quarto trimestre do ano pas¬sado, a MRV apresentou recupe¬ração na velocidade das vendas (VSO, vendas so¬bre a oferta total), que chegou a 29%. O dado é melhor que os 25% do terceiro trimestre, mas abaixo dos 32% do qua¬rto trimestre de 2010. “O Rubens Menin aumento da velocidade das vendas foi melhor do que o esperado. Isso denota força do mercado”, disse Corrêa.

Segundo o diretor de Finanças, a velocidade das vendas deve cair um pouco neste ano, em decor¬rência do volume maior de lançamentos previstos, atingindo níveis entre 20% e 25%. Para 2012, a companhia trabalha com a diretriz interna de fluxo de caixa positivo. “Não é uma meta formal”, pondera. Conforme ele, a companhia tem condições de obter fluxo positivo, mesmo com as previsões de expandir o volume de lançamentos. “Já temos um banco de terrenos compatível”, explicou. A MRV encerrou o ano anterior com um banco de terrenos equivalente a R$ 17 bilhões de volume geral de vendas (VGV), patamar acima dos R$ 13,6 bilhões registrados no fim de 2010.

Programa governamental

Leonardo Corrêa explicou que, como a construtora destina quase a totalidade dos empreendimentos para as faixas 2 e 3 do pro – grama habitacional do governo federal (famílias com renda entre R$ 1,6 mil e R$ 5 mil), a empresa não foi afetada pelas dificuldades relatadas pelo setor da construção no País. Outras empresas tiveram problemas para enquadrar os lançamentos na faixa 1 do programa (famílias com renda de até R$ 1,6 mil) devido ao aumento do preço dos imóveis por conta da explosão dos custos dos terre- nosedamãodeobra.

O executivo acrescentou que a MRV tem perspectivas positivas, já que o governo federal já anunciou apossibilidade de expandira meta de lançamentos da segunda fasedo “Minha Casa, Minha Vida” em 400 mil unidades. Atualmente, a meta está em 2 milhões de unidades. “Vemos um mercado forte. As coisas já estão andando em um ritmo acertado. Na medida em que ela [a presidente Dilma Rousseff] vir que há capacidade da indústria da construção de executar as obras, pode aumentar a meta”, afirmou Corrêa.

A MRV também deve ser beneficiada neste ano pela menor concorrência. Compromissadas com melhora das margens, concorrentes como a PDG Realty e a Gafisa planejam reduzir o número de lançamentos para baixa renda devido às dificuldades de repassar aumentos dos custos operacionais a esse segmento. “Fica um espaço vago”, resumiu.

- DCI, 25/01/12

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