Área a ser utilizada pela linha laranja do Metrô será de cerca de 202 mil m², equivalente a 28 campos de futebol. Desapropriação irá afetar imóveis em vias importantes, como Sumaré, Brigadeiro Luís Antonio e Consolação.
JOSÉ BENEDITO DA SILVA - DE SÃO PAULO
Casas, bares, lanchonetes, postos de combustíveis, agências bancárias, praças, uma subprefeitura, parte do estacionamento da Faap e até a sede da escola de samba Vai-Vai, no Bixiga, estão entre os imóveis que serão desapropriados para a construção da linha 6-laranja do Metrô.
A previsão está no estudo de impacto ambiental entregue à Cetesb para dar início ao licenciamento da obra.
A primeira fase -13,5 km- ligará Brasilândia (zona norte) à Liberdade (centro), passando por áreas de alta valorização imobiliária como Perdizes, Pompeia, Higienópolis, Pacaembu e Bela Vista.
USO MISTO
O estudo lista 202,5 mil m² em áreas passíveis de desapropriação -basicamente, no entorno das estações-, o equivalente a 28 campos de futebol. A maioria desses imóveis (32%) é de uso misto (comercial e residencial).
O preço do metro quadrado varia de R$ 400 a R$ 1.200. Na região mais nobre -a do entorno da estação Angélica/Pacaembu, em Higienópolis-, só uma casa, de 407 m², na rua Itápolis, foi mapeada.
Pouco mais da metade dos 18 mil m² listados na região envolve imóveis mistos e de comércio, basicamente nas ruas Bahia e Sergipe, onde ficará a estação, que deveria ser na avenida Angélica, mas mudou de endereço em 2011.
Na área está ameaçado, entre outros, o imóvel que abriga o restaurante Carlota, na rua Sergipe, um dos mais badalados da cidade. A chef Carla Pernambuco, dona do restaurante, não estava ontem e também não respondeu ao e-mail enviado pela Folha.
Na esquina da Sergipe com a Bahia está outro imóvel ameaçado: o sobrado que abriga a clínica Karpovas, fundada há quase 40 anos.
Em maio de 2011, quando o governo mudou a estação da Angélica para a região, a médica Bety Karpovas, 38, criticou. "Poderiam fazer embaixo do parque Buenos Aires. Ali é área pública e não precisa desapropriar nada."
A Faap, no Pacaembu, também perderá parte do estacionamento para a estação.
Vias importantes do eixo centro-avenida Paulista terão imóveis desapropriados, como a avenida Brigadeiro Luís Antonio e as ruas da Consolação e Frei Caneca. Na rua Vergueiro, há uma agência do Bradesco -na avenida Sumaré, uma outra, do Itaú.
Na região norte, há duas praças na Freguesia do Ó, um centro comunitário na Brasilândia e a subprefeitura Freguesia/Brasilândia.
2013
As desapropriações deverão estar concluídas em 2013, quando está previsto o início das obras. A linha deve entrar em operação só em 2017.
Antes, o Metrô tem de concluir projetos, obter a licença ambiental e pedir ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) os decretos de utilidade pública. Não há estimativa de gasto em desapropriações.
A Walm Engenharia e Tecnologia Ambiental, contratada para o estudo, diz que um dos objetivos foi reduzir as áreas passíveis de desapropriação. Afirma, ainda, que o processo será positivo, pois as áreas terão uma nova ocupação e função dentro da "estrutura urbana da cidade".
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