segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

ABERTURAS QUE ATRAEM (E AFASTAM) OS OLHARES

casa_vogue

É física pura: quanto mais perto se chega de um objeto, maior ele fica perante nossos olhos. Em se tratando da O-House, às margens do Lago de Lucerna, na Suíça, a questão não é apenas de ótica, mas também de lógica. Isso, ao menos, é o que se percebe no projeto do escritório Philippe Stuebi Architekten, de Zurique.

A premissa número um diz que, para morar, é essencial ter privacidade. Então, para não expor a intimidade de quem reside numa casa com faces completamente perfuradas, a solução foi trabalhar o tamanho da abertura dos furos.

Lógico: eles poderão ser maiores onde a proximidade de olhos estranhos for mais rara, ou nos interiores mais permeáveis à curiosidade alheia – escadas, halls, salas de uso social. Já nos ambientes íntimos, como dormitórios e banheiros, é preciso que não só o olhar de fora para dentro seja obstruído, mas que, ao mesmo tempo, os olhos de dentro possam ver tudo o que se passa lá fora. Para tanto, buracos pequenos. Até a piscina, revestida de pastilhas, parece perfurada em seu fundo, diante de tantos buracos que a rodeiam.

Nesta brincadeira, também colaborou o arquiteto Eberhard Tröger, projetista que acompanhou os estudos para a O-House. O resultado apresenta-se na forma de um bloco sólido de concreto branco, parcialmente fechado em vidro, de frente para um belo lago, e de apelo bastante minimalista, apesar de exuberante no quesito criatividade.

Os grandes furos da fachada permitem que vizinhos espiem uma escada escultural de vidro e lustres de cristal. Em troca, oferecem aos seus moradores a vista imperdível e completa de lago e montanhas que os circundam. Isso sem contar a grande vantagem que é ter todos os ambientes banhados por luz e ventilação natural. Pouco lógico, aqui, é somente o fato de este ser, de longe, um grande projeto.

(Clique em qualquer uma das imagens para vê-las ampliadas em galeria)

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