quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Gafisa reduzirá tamanho para melhorar resultados

(Valor Econômico - São Paulo/SP - EU & INVESTIMENTOS - P.D3 - 16/11/2011)
Por Chiara Quintão | São Paulo

A Gafisa decidiu reduzir seu tamanho e separar a gestão de suas marcas - Gafisa, Tenda e Alphaville - com o objetivo de melhorar seus resultados e ter fluxo de caixa positivo. A companhia reduziu sua meta de lançamentos de 2011 para a faixa de R$ 3,5 bilhões a R$ 4 bilhões. A projeção anterior era de R$ 5 bilhões a R$ 5,6 bilhões. A estimativa para 2012 não está definida, mas os lançamentos também devem ser mais modestos do que inicialmente se esperava.

A redução vai ocorrer principalmente nas operações da Tenda, segundo o presidente da Gafisa, Duilio Calciolari. Com foco na baixa renda, a Tenda tem apresentado margem bruta abaixo de 20%, enquanto o indicador da companhia está próximo de 30%. A participação da Tenda deve cair da parcela de 30% a 35% dos lançamentos de 2011, estimada no início do ano, para 15% a 20%. Em 2012, a parcela de Tenda não deve passar de 25% do total, conforme Calciolari.

A Gafisa comprou 60% da Tenda em 2008 e incorporou a empresa no início de 2010, mas ainda não conseguiu equacionar os problemas relacionados aos repasses dos clientes da marca para a Caixa Econômica Federal. Segundo Calciolari, a companhia tem cinco mil unidades prontas da Tenda das quais ainda não conseguiu repassar os clientes para o banco.

No plano estratégico definido pela Gafisa, só serão lançados empreendimentos da Tenda depois que a Caixa considerar o projeto 100% apto e depois que a pré-venda chegar a pelo menos 50% do total. A intenção é, após cada venda, repassar o cliente para a Caixa no menor tempo possível, o que permitirá menor desembolso durante as obras. Até 2010, os clientes da Tenda eram repassados para a Caixa no pós-chaves. Desde o ano passado, o objetivo já era fazer o desligamento dos clientes durante a obra, mas os lançamentos ocorriam mesmo antes de o projeto estar 100% aprovado pelo banco, o que demandava mais tempo para a liberação dos recursos.

Os lançamentos da Tenda vão se concentrar em São Paulo, Rio, Minas Gerais e Salvador. Outra mudança no segmento será a ampliação do uso de formas de alumínio na produção, tecnologia que possibilita mais eficiência. Projetos previstos da Tenda, mas ainda não lançados, e lançamentos cujas obras ainda não começaram poderão ser cancelados se não se enquadrarem nas novas métricas estabelecidas.

Os lançamentos com a marca Gafisa vão se concentrar nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Obras da marca fora desses mercados serão concluídas, mas áreas do banco de terrenos que se destinariam a projetos fora desses Estados poderão ser vendidas.

A companhia pretende também ampliar a participação do segmento Alphaville, que tem margens entre 45% e 50%.
Na nova estrutura da companhia, Sandro Gamba, diretor de incorporação da companhia, ficará à frente da gestão do negócio Gafisa. Tenda fica sob a liderança de Rodrigo Osmo, que já comandou Alphaville. Osmo vai acumular, interinamente, a função que já ocupa de diretor financeiro da companhia até que novo profissional seja escolhido para o cargo. Marcelo Willer é o diretor-superintendente responsável por Alphaville.

No terceiro trimestre, o lucro líquido da Gafisa caiu 60% ante o mesmo período do ano passado, para R$ 46,2 milhões. A receita líquida subiu 5%, para R$ 1,005 bilhão. A margem bruta melhorou de 28,8% para 29,5%. O aumento do INCC em maio teve impacto positivo na margem do terceiro trimestre, à medida que a companhia repassa a variação do indicador para seus clientes com defasagem de dois meses. De acordo com Calciolari, projetos com margem menor, principalmente da marca Gafisa, estão perdendo relevância na composição do indicador.

No fim do trimestre, o total de dívida líquida e obrigações com investidores era de R$ 2,95 bilhões, valor 42% superior ao de um ano antes. O caixa caiu 26%, para R$ 912,4 milhões. No trimestre, o consumo de caixa operacional da Gafisa foi de R$ 56 milhões.

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