quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Os preços insanos dos imóveis no Rio

(Portal Exame - São Paulo/SP - SEU DINHEIRO - 06/10/2011)

João Sandrini

Os apartamentos mais cobiçados na orla da zona sul chegam a ser negociados por 50.000 reais o m² - um exagero ao alcance apenas dos multimilionários

Alexandre Accioly em seu apartamento no Cap Ferrat: o prédio mais caro do Rio

São Paulo - Uma mistura de glamour histórico, belezas naturais, noites agitadas e espaço reduzido transformaram a zona sul do Rio de Janeiro na região mais valorizada do mercado imobiliário brasileiro. O preço médio dos imóveis no Leblon supera 16.000 reais o metro quadrado, mas, em prédios de altíssimo padrão na orla, já foram fechadas transações por mais de 50.000 reais o m².

Para entender o que faz alguns multimilionários desembolsarem caminhões de dinheiro para morar ali, EXAME.com conversou com Frederico Judice Araujo, diretor da Judice & Araujo, uma imobiliária especializada em empreendimentos de altíssimo padrão que se transformou em representante exclusiva da Christie's no Rio de Janeiro. A seguir, ele revela quais são os imóveis mais cobiçados do estado: "Toda a orla do Rio de Janeiro é disputadíssima, mas não é do Recreio dos Bandeirantes até o Leme que as pessoas estão dispostas a pagar fortunas para morar. Leblon e Ipanema são a primeira opção de praticamente todo mundo que tem dinheiro. As duas vias mais valorizadas desses bairros são a Delfim Moreira e a Vieira Souto, que estão na orla. À beira-mar, o preço médio de um apartamento alcança 30.000 reais por m². Isso quer dizer que um imóvel de 300 m², por exemplo, custa 9 milhões de reais se estiver em bom estado.

Esse é apenas o valor médio. No condomínio mais valorizado da cidade, o Cap Ferrat, um imóvel de 600 m² chega a ser vendido por mais de 30 milhões de reais, ou 50.000 reais por m². Esse prédio não é novo, foi construído na década de 1980, mas reúne tudo que uma pessoa com dinheiro deseja. Como há apenas um apartamento por andar, a privacidade é garantida. A estrutura de segurança e de garagens é excelente. Só não há espaço para área de lazer.
Por questões de segurança, não posso revelar quem mora no edifício, mas há diversos grandes empresários. [nota de EXAME.com: entre moradores e ex-moradores do Cap Ferrat, estão André Esteves (BTG Pactual), Júlio Bozano (Bozano Simonsen), Alexandre Accioly (dono de academias, restaurantes e boates), Arthur Sendas (Sendas) e Sérgio Naya (ex-deputado e responsável pela construção do edifício Palace 2, que desabou na Barra da Tijuca).

O segundo edifício mais valorizado da cidade é o Juan Les Pins. O preço e as características são quase as mesmas do Cap Ferrat, mas o edifício é um pouco mais antigo. Em ambos, entretanto, os proprietários sempre costumam fazer alguma reforma após a compra para deixar o imóvel com a própria personalidade. Não consigo pensar em nada mais caro que esses dois prédios no Brasil.

Para quem prefere morar em uma casa, a região mais valorizada é uma área do Leblon conhecida como Jardim Pernambuco. Devido às limitações de espaço inerentes ao bairro, os terrenos desses imóveis nem são tão grandes. Em média, são espaços de 600 a 700 m² com uma área construída de 500 m². Além da localização, o fato de se tratar de um condomínio fechado com forte segurança justifica que as pessoas paguem ao menos 10 milhões de reais para morar ali. Em uma transação realizada no ano passado, um imóvel alcançou o preço de 25 milhões de reais.

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