(Tribuna da Bahia - Salvador/BA - ÚLTIMAS NOTÍCIAS - 10/10/2011)
Nós brasileiros, passamos boa parte das nossas cinco últimas décadas vivenciando um ambiente econômico extremamente instável, em que não encontrávamos solidez política nem monetária nas nossas perspectivas de investimento. Neste tipo de contexto ficava difícil confiar nas aplicações via instrumentos financeiros para o longo prazo já que não tínhamos a confiança de que o nosso capital sobreviveria ao próximo plano econômico ou ao tobogã inflacionário que existia. Fomos conduzidos a priorizar o tangível, o palpável.
É aqui que entram as aplicações imobiliárias, que tiveram sua cultura passada de geração em geração e que se mantém até hoje, mesmo com um ambiente econômico muito diferente desde a adoção do plano real. Não me refiro aqui a nossa moradia ou aos imóveis que compramos pensando nos nossos sucessores (filhos ou parentes próximos), mas sim nos investimentos realizados com objetivos de renda ou valorização.
Tenho sido muito questionado por e-mails e em minhas palestras e seminários sobre a tal bolha imobiliária no Brasil. A minha resposta é a seguinte: quem estiver esperando uma bolha como a que vimos estourar em 2008 no mercado norte-americano (que até hoje não foi resolvida), ou como a que assola a Europa nesta atual crise pode pegar um banquinho e esperar.
O Brasil possui um alto índice de déficit habitacional (pessoas sem moradia) e a nossa alavancagem de financiamentos imobiliários sobre o PIB trabalha próximas aos 10% (bem distante dos quase 80% que assustam as avaliações na Europa e nos Estados Unidos). Em quase todas as cidades que avalio ou que tenho a chance de palestrar, o sentimento é unânime: nos últimos anos o preço dos imóveis subiu muito e não pararam até então. A explicação parte das facilidades atuais de crédito. Nos anos 90, uma pequena parte da população conseguia comprar imóveis de R$500.000, hoje com os financiamentos em 30 anos essa parcela subiu consideravelmente.
Todos nós sabemos que os bancos e as construtoras não iriam perder a chance de subir o preço dos juros e dos próprios valores dos imóveis num cenário com demanda crescente por novas unidades.
Então, é interessante investir em imóveis? A minha resposta é: talvez. As boas margens nas aplicações imobiliárias se definem como em qualquer outra aplicação, no momento da compra. Se você possuir know how para construir ou participar de um grupo que tenha esse objetivo, provavelmente terá bons resultados se fundamentado em um planejamento adequado.
Caso não tenha essa opção, a famosa compra na planta pode não se concretizar em bons resultados financeiros, afinal 100% de rendimento em cinco anos (média apurada para o tipo de investimento) pode ser conseguido em outras aplicações ligadas ao setor como os CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários). Temos que ter em mente que um imóvel físico, possui risco de vacância, depreciação, altos impostos, taxas de corretagens elevadas, etc. Nesse contexto de tantas variáveis é preciso certa dose de experiência para não deixar de ganhar dinheiro (fique atento aos leilões e tenha bons corretores trabalhando para você).
As maiores dificuldades de ganho estão na parcela de investidores que querem ganhar no aluguel. Se o imóvel não for um bom empreendimento comercial, as chances de você ganhar menos do que a caderneta de poupança nos aluguéis mensais (que tem alta tributação) são altíssimas (tenha em mente que quanto mais caro for o imóvel, menor será o % dele no aluguel). Verifique se você não encontra taxas melhores nos fundos de investimento imobiliários antes de se decidir, pois a pior característica das aplicações imobiliárias é que não permitem os juros compostos na rentabilidade acumulada.
Caso não seja um expert no assunto ou não tenha tido a sorte de comprar um terreno ou imóvel que sofrerá forte valorização indireta devido ao crescimento da cidade ou a novos empreendimentos, sugiro que caminhe junto com um especialista e faça sempre contas na ponta do lápis para avaliar a atratividade. O importante é ter uma boa aplicação patrimonial e não investir por falta de opção, afinal os tempos mudaram e as ferramentas financeiras para o setor estão cada vez mais interessantes e rentáveis. Fique atento e construa seu patrimônio de forma sólida e duradoura.
Nenhum comentário:
Postar um comentário