sexta-feira, 23 de setembro de 2011

"É preciso construir moradias economicamente acessíveis", diz representante de defesa do consumidor

Segundo uma pesquisa da Ipsos para a empreendedora imobiliária Nexity, publicada na quarta-feira (21) pelo "Aujourd'hui en France/Le Parisien", mais de oito em cada dez franceses são a favor de que o Estado regule os preços de venda dos bens imobiliários, e 59% deles pedem por uma limitação do aumento dos aluguéis.
Oitenta e três por cento das pessoas entrevistadas acreditam que entre "as ações que o Estado pode instaurar para facilitar a aquisição de um imóvel", este deve "regular os preços de vendas"; 87% acreditam que ele deve "reforçar o empréstimo a taxa zero" e 88% pedem por um "controle dos preços de terrenos públicos para desenvolver construções a preços acessíveis".
Embora a grande maioria dos profissionais do setor se oponha à ideia de colocar um teto para os preços dos imóveis, tais medidas suscitam a esperança das associações de consumidores.
Thierry Saniez, representante geral da associação de defesa dos consumidores CLCV (Consumo, Moradia e Ambiente, sigla em francês) falou com o "Le Monde".

Le Monde: Por que é preciso controlar os preços do setor imobiliário?
Saniez: O aumento dos preços dos imóveis foi o elemento determinante da crise do poder de compra. Embora o índice Insee fale em uma taxa de 26% a 27% das despesas das famílias, na realidade é bem mais.
É preciso distinguir entre "zona tensa" e "zona não tensa". Paris e outras cidades como Montpellier ou Toulouse viram disparar o custo dos aluguéis. Em Paris, eles aumentarem mais de 60% em dez anos e, evidentemente, as rendas não acompanharam. Quando olhamos o Observatório dos Aluguéis da Região Parisiense (OLAP, sigla em francês), podemos fazer uma análise detalhada sobre a região de île-de-France.

Como agir a respeito do valor dos aluguéis?
Saniez: Embora a evolução dos aluguéis seja limitada pelo índice de referência dos aluguéis (IRL) durante o contrato, isso não acontece para o caso da troca de locatário. Ora, em média, no setor privado, um locatário permanece quatro anos. Existem sistemas de limitação que funcionam como na Alemanha. Hoje, é sobre os novos aluguéis que se deve agir. Ademais, hoje existem 47% de locatários, dos quais 57% no setor privado. Os locatários são em sua maioria pessoas de renda baixa demais para serem proprietárias. Portanto, são as pessoas mais humildes que são mais afetadas.
Se o setor privado se tornou inacessível, não se pode esquecer o aumento dos preços das moradias populares. O Estado tem toda a liberdade para controlar os preços nesse setor. Hoje, a situação é excepcional, é por isso que estamos pedindo por um congelamento excepcional dos aluguéis.

O que o sr. tem a dizer aos profissionais do setor imobiliário que garantem que tais medidas levariam a uma fuga dos investidores?
Saniez: Os proprietários viram aumentar em 60% os aluguéis em dez anos. Eles lucraram muito com isso. Por outro lado, não é bom para ninguém que se aumente demais. A inadimplência, por exemplo, pode aumentar. Além disso, há um forte impacto sobre o emprego. As pequenas e médias empresas ou as coletividades territoriais situadas em zonas tensas têm dificuldades para recrutar certas categorias de funcionários, simplesmente porque essas pessoas não têm condições de morar na cidade de seu potencial empregador.

Segundo a pesquisa publicada no "Le Parisien", 83% dos franceses querem que o Estado limite o aumento dos preços para compra, isso é possível?
Saniez: Seria muito complicado regular o mercado de maneira global. A realidade dos preços de compra é na verdade uma consequência das políticas de moradia conduzidas há dez anos, que criaram um desequilíbrio entre oferta e demanda. É preciso construir! Mas, cuidado, é preciso construir onde é necessário, e moradias acessíveis do ponto de vista econômico. Você se dá conta de que não existe nenhum dispositivo de antecipação sobre a evolução da demanda da moradia? Portanto, é preciso aumentar o número de moradias populares, mas também o das moradias subvencionadas, que infelizmente só representam uma pequena parte do setor imobiliário francês.

Fonte: UOL - São Paulo/SP - 23/09/2011

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